Prefeitura de Guarulhos decide fechar estatal e homem morre na fila da demissão

        Informe: Brasil de Fato

José Benedito Pinto, de 70 anos, teve uma parada cardíaca na fila da homologação de sua demissão e morreu. Ele era porteiro, há 21 anos, da Proguaru, estatal de Guarulhos (SP), responsável pela varrição do município e limpeza das escolas municipais.

Em agosto, o prefeito de Guarulhos (SP), Guti (PSD), anunciou o fechamento da Proguaru, estatal que emprega 4,5 mil servidores. Desde 21 de novembro, os trabalhadores da empresa estão paralisados, tentando reverter as demissões.

A homologação dos servidores ocorreu no CEU Continental, no Parque Continental II. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado pelos agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM), mas os paramédicos não conseguiram reanimar o trabalhador.

Em nota, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública Municipal de Guarulhos (STAP), Pedro Zanotti Filho, culpou o prefeito pela morte do servidor. “Guti terá que responder por isso, em todas as instâncias e perante o mais implacável dos tribunais, que é o tribunal da consciência. Se é que ele tem”.

“Ele havia ido ao CEU Continental, a chamado do governo, pra assinar Carta de Demissão. José Benedito compareceu pacificamente. Ali passou mal. Os GCMs o acudiram. Depois chegou o Samu, mas Benedito, apesar dos esforços da equipe Samu, veio ao falecer. Morrer é corriqueiro. Mas morrer na fila que leva à guilhotina do desemprego não é. É humilhante e revoltante. Morrer de doença faz parte da vida. Morrer sob a opressão do desemprego e a angústia da incerteza é desumano”, lamentou Filho.

De acordo com o STAP, Guti teria prometido, ainda em campanha, que não extinguiria a estatal. O Brasil de Fato procurou a Prefeitura de Guarulhos, mas até o fechamento desta matéria, o poder municipal não havia respondido. Caso o faça, o texto será atualizado.

Edição: José Eduardo Bernardes




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