“A arma não disparou e eu corri”, relata lavrador torturado por policiais em Bacabal

      Direto do ma10

O lavrador José de Ribamar Neves Leitão, que estava desaparecido desde o dia 1º de fevereiro, reapareceu na segunda-feira (8) e em uma transmissão ao vivo na internet, relatou ter sido torturado por cinco policiais militares lotados no 15º Batalhão de Bacabal.

José de Ribamar afirma que foi levado pelo grupo de policiais no mesmo dia em que Marcos Santos foi capturado, e que presenciou a morte do comerciante. Segundo o lavrador, que estava desaparecido há sete dias, os policiais o acusavam de roubar carneiros da fazenda em que trabalhava e ter vendido ao comerciante.

No vídeo, “Riba” relata ter escutado os policiais combinarem de levar ele para uma fazenda, para simular um confronto e assim justificar sua morte. Ele explica que o tenente Pinho, um dos suspeitos, pediu aos colegas que atirassem em uma das pernas dele. Além, de afirmar que presenciou todas as agressões sofridas por Marcos Santos, até ele ser morto pelos PMs.

O lavrador conta que implorou aos policiais para não morrer e só conseguiu sobreviver porque a arma não disparou. Então, ele começou a correr e escutou vários disparos em sua direção. Ribamar diz que passou uma semana andando pela mata, para fugir da perseguição.

“Quando ele apertou o dedo, a arma não disparou. Nessa hora que a arma não disparou, eu corri. Eu criei força nas minhas pernas e corri. Eles de lá mesmo começaram a atirar, deram ao menos 10 tiros em mim, e eu passei a noite toda correndo e eles atrás de mim”, afirma José de Ribamar.

Os cinco policiais envolvidos no crime estão presos no presídio do Comando-Geral da Polícia Militar. Eles foram identificados como tenente Pinho, o sargento Custódio e os cabos Robson, Rogério e Henrique.

Entenda o caso

No dia 2 de fevereiro, foi encontrado o corpo do comerciante Marcos Santos, conhecido como Marquinhos, que estava desaparecido desde segunda (1º), quando foi levado por policiais da 15º Batalhão da Polícia Militar, em Bacabal, a 347 km de São Luís. Segundo as investigações da Polícia Civil, três policiais militares são suspeitos do crime.

Familiares encontraram o corpo do comerciante no povoado Fazenda Cancelar, em São Luís Gonzaga do Maranhão, com marcas de tiro e sinais de violência. De acordo com testemunhas, Marcos foi colocado à força dentro de um carro por policiais militares do 15º BPM que estavam trabalhando sem fardamento e alegaram investigar a compra de carneiros furtados em uma fazenda. Depois do episódio, o comerciante não foi mais visto.

Em depoimento os policiais suspeitos, afirmaram que houve troca de tiros com o comerciante, o que ainda está sendo investigado pela Polícia Civil.

O secretário de Segurança Segurança Pública, Jefferson Portela, viajou até a cidade de Bacabal, para acompanhar as investigações e em vídeo divulgado nas redes sociais, afirmou que “não se combate o crime praticando crime” e que os responsáveis serão responsabilizados.

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