Filha e genro de Russomanno são acusados por esquema de “pirâmide”

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A filha e o genro de Celso Russomanno, candidato à Prefeitura de São Paulo pelo Republicanos e líder nas pesquisas de intenção de voto divulgadas recentemente, respondem a pelo menos 18 processos na Justiça por uma prática descrita nas ações como um “esquema da pirâmide”, tipo de golpe em que pessoas investem dinheiro em uma empresa em troca de lucros que não se realizam.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a Justiça julgou procedente a reclamação das vítimas em seis ações. Elas cobram ao todo um prejuízo de R$ 4,5 milhões e afirmaram terem confiado no casal especialmente pelo fato de Luara Torres Queiroz Russomanno ser filha do candidato, famoso por defender os direitos do consumidor na TV.

“Não imaginava que o autor [da ação] teria maiores problemas, pois o réu sempre foi solícito no início dos investimentos, além de que é genro de um famoso político paulista, que trabalha em defesa do consumidor”, diz trecho de um dos processos, movido por um engenheiro de 30 anos que cobra R$ 23 mil do casal.

Em outra ação contra Luara e seu marido, Bruno Neri Queiroz, há cópias de mensagens de corretores de investimentos atestando que o negócio era legítimo por causa do parentesco do casal com o deputado.

“O dono é genro do Celso Russomanno, sabe? Ele não vai querer um escândalo desse pra cima dele e manchar o nome da família”, disse uma corretora, por WhatsApp, a uma vendedora de cosméticos de 29 anos que questionou o começo dos atrasos nos pagamentos. Ela perdeu R$ 20 mil.

Ao todo, são 110 ações contra a NQZ Participações, que pertencia ao casal. Em novembro de 2019, eles deixaram a empresa e constituíram outra, a Alternative Assets NQZ Consultoria.

De acordo com as ações, a empresa de Luara e Queiroz informava que investia os recursos captados na expansão de franquias de redes de alimentos e de salões de beleza. Mas na prática os lucros só foram pagos à medida que mais pessoas fizeram investimentos. Quando os pagamentos se encerraram, o casal se retirou da empresa, que ficou no nome de outros sócios.

O negócio proposto pelo casal era ilegal, uma vez que eles não tinham autorização para oferecer as cotas de investimento, segundo a Comissão de Valores Mobiliário (CVM). Em fevereiro de 2019, a CVM, autarquia do Ministério da Economia que fiscaliza o mercado de ações e investimentos, publicou uma deliberação para alertar o mercado que a “NQZ Participações e Investimentos Ltda e Bruno Neri Queiroz não estão autorizados a ofertar publicamente títulos ou contratos de investimento”. O texto dizia que a CVM verificou indícios de que o site da empresa “oferecia esses serviços sem os devidos registros” e determinou a suspensão do negócio.

Um dos advogados de vítimas afirmou que a saída do casal da empresa se deu para evitar que as dívidas cobradas na Justiça resultassem no confisco de bens. Segundo este advogado, por este motivo as ações judiciais foram propostas não só contra a empresa deles, a NQZ Participações, mas também contra o casal como pessoa física.

Outro defensor afirmou que, embora haja boletim de ocorrência de estelionato registrado contra o casal, as vítimas preferem o ingresso de ações civis, pedindo distrato do contrato, indenização por dano moral e outros, porque têm interesse mais na recuperação do dinheiro perdido do que na punição criminal do casal.

Luara e Queiroz figuraram como investigados em um inquérito policial do 27.º Distrito Policial (Campo Belo), fruto de uma queixa prestada por um cabeleireiro de 35 anos que trabalha no Shopping JK e alegou ter perdido R$ 50 mil. A investigação foi arquivada sem que os acusados fossem ouvidos.

Em outro inquérito policial, ainda em andamento, que corre sob sigilo, a juíza Gabriela Marques da Silva Bertoli, do Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo), determinou a quebra de sigilo de uma conta da NQZ no Bradesco após pedido do Ministério Público, no período entre outubro de 2018 e agosto de 2019. O inquérito foi aberto depois da representação de uma professora de 35 anos, que alega ter perdido R$ 200 mil.

Em uma das ações, a Justiça recusou a inclusão da dupla no polo passivo, com o entendimento de que quem causou o eventual prejuízo havia sido a empresa, não as pessoas físicas. Mas em seis ações, que ainda são passíveis de recursos, os processos foram julgados procedentes, dando razão aos autores. Russomanno não tem ligações diretas com a NQZ, mas tem bens compartilhados com a filha. Segundo dados da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp), eles são sócios em uma empresa de rádio e TV em Leme, no interior do Estado.

A reportagem de O Estado de S. Paulo procurou a campanha do candidato do Republicanos e os três advogados que representam sua filha e genro na Justiça. A defesa não respondeu. Russomanno respondeu com um vídeo em que diz ser alvo de “ataque pessoal” e diz que o genro tem “problemas financeiros assim como milhares de outros brasileiros”.

“Já se iniciaram os ataques. Ataques contra minha pessoa e a minha família. Isso já aconteceu em 2012 e em 2016, na tentativa de desconstruir a minha imagem para diminuir a intenção de voto em minha pessoa”, afirmou o candidato, no vídeo.

“Meu genro tem problemas financeiros, assim como milhares de outros brasileiros, e vai responder pelos seus problemas, até porque isso não tem nada a ver comigo”, complementou o candidato, sem citar sua filha ou comentar o uso de seu nome para dar segurança ao esquema denunciado nos processos judiciais.

“Não sou sócio da empresa e não conheço os negócios do meu genro”, continuou Russomanno, no vídeo. “Agora, trazer isso para a minha campanha e tirar o foco da discussão, que é a cidade de São Paulo, é uma atitude covarde, para não dizer outra coisa”, afirmou. O candidato disse ainda que pretende discutir os problemas da cidade.

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