Pilotos ganhavam até R$ 100 mil por voo para o tráfico, diz polícia de GO

Policiais de Goiás apreenderam jatos e carros de luxo durante a Operação Icarus
     R7

A Polícia Civil de Goiás acredita que pilotos de aeronaves cooptados por traficantes internacionais recebiam até R$ 100 mil por viagem para entrar no Brasil com carregamentos de drogas. Parte do grupo foi presa pela Operação Icarus (Deus da mitologia grega que voou muito perto do sol e morreu porque as suas asas de cera derreteram), encabeçada pelo Grupo Antissequestro da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic) do estado goiano.

"Em relação a quanto ganhavam por vôo, obviamente não existem contratos. Mas, há relatos de pagamentos em torno de R$ 100 mil por viagem. Obviamente alguns podem aceitar por menos", revelou o delegado Thiago Martimiano, chefe do Grupo Antissequestro ao R7, nesta sexta-feira (9).

Além da prisão de sete pessoas, a investigação policial — iniciada há seis meses, após o desaparecimento de um piloto, ocorrido no fim de 2018 — resultou na apreensão de jatos, carros de luxo, diversos artigos caros e cerca de R$ 571 mil em dinheiro (reais e dólares).

Entre os itens confiscados pela Polícia Civil em ações deflagradas nos estados de Goiás, São Paulo e Pará, foram apreendidos dois jatos (modelos Dassault Falcon e Cessna Citation), um helicóptero (Eurocopter EC 130) — uma das aeronaves foi localizada em Sorocaba (SP) —, 11 veículos e uma moto aquática, além de oito relógios Rolex e outros cinco da marca Hublot.

O delegado Thiago Martimiano contou que os suspeitos gostavam de ostentar a vida luxuosa proporcionada pelos crimes. Dois deles posaram para uma foto com vestimentas típicas árabes e ao lado de duas Ferrari durante uma viagem ao Oriente Médio.

"Eventualmente, eles viajavam a turismo. Temos registros de viagens para Dubai e Ilhas Maldivas. Viagens em família, com esposas namoradas", acrescentou o policial, responsável por chefiar as investigações.

Holandês comandava o grupo criminoso

De acordo com a investigação, o grupo era comandado por um holandês, radicado no Brasil há anos. O suspeito havia conhecido uma brasileira na Europa, se casado e formado família no país.

"Já tem dois filhos brasileiros. Está aqui há anos. Conheceu a esposa na Espanha e veio pra cá. Ele morou inicialmente em Goiânia e, recentemente, foi para Santana de Parnaíba [na Grande São Paulo]".

Crimes

Segundo a Polícia Civil, ainda há integrantes da organização criminosa em liberdade, mas os principais nomes já estão detidos. Os presos foram autuados por tráfico de drogas, associação ao tráfico e lavagem de dinheiro.

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