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BOLSONARO TEM REUNIÕES COM EXECUTIVOS DA RECORD NO PLANALTO



O presidente da República, Jair Bolsonaro, se reuniu com executivos da Rede Record duas vezes esta semana. Na quinta-feira (07), recebeu no Palácio do Planalto o CEO da emissora, Marcus Vinicius Vieira. Na sexta (08), teve novo encontro com Marcus, em reunião que contou com presença do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e do Diretor o Corporativo da Rede Record, Maurício Novaes. Ambos os encontros ocorreram às 16h30 e tiveram duração de 30 minutos.

Procurada pelo Independente, a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), que é porta-voz da Presidência da República, afirmou que não pode passar informações sobre as reuniões porque elas são “fechadas”, apesar de constarem na agenda presidencial.

“É um assunto entre eles (participantes das reuniões). Então não temos como te informar o motivo das reuniões”, disse por telefone uma funcionária da Secretaria da Comunicação à reportagem.

Bolsonaro já havia se reunido com executivos da Record em janeiro deste ano, quando recebeu no Palácio do Planalto o CEO da empresa, Marcus Vinícius, além de Luiz Claudio Costa, presidente da emissora e Antonio Guerreiro, o novo vice-presidente de jornalismo.

Na ocasião, eles estavam acompanhados do presidente da Associação de Emissoras de Televisão, Márcio Novaes. Os motivos ou detalhes da reunião tampouco foram informados à imprensa.

No final de 2015, a emissora fez um ajuste em seu quadro executivo e promoveu o então vice-presidente, Marcus Vinicius Vieira, à CEO da empresa. O cargo não existia na Record antes da mudança e a promoção de Marcus Vinicius o transformou no dirigente mais importante da Record, atrás apenas do proprietário, Edir Macedo.

Como dono da Record e fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo declarou apoio à campanha de Jair Bolsonaro à Presidência, no final de setembro, em um vídeo ao vivo feito no Facebook.

Depois do anúncio, o bispo passou a mobilizar o jornalismo do conglomerado a favor do presidente (veja abaixo).


Apoio da Record a Bolsonaro

No início de outubro, semanas antes da disputa de primeiro turno, o então candidato do PSL deixou de ir ao debate televisivo da TV Globo após ordem médica (por conta da facada que recebem em Juiz de Fora, MG) e concedeu entrevista exclusiva à Record, transmitida no mesmo horário do programa global.

Depois disso, um jornalista do portal R7, que pertence ao conglomerado de Macedo, declarou sob anonimato ao The Intercept Brasil que o apoio de Macedo a Bolsonaro mudou o jornalismo da emissora.

O jornalista anônimo explicou que o Grupo Record inicialmente apoiava a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), mas mudou de posição no final de setembro e começou a fazer “jogo” sujo” a favor do militar.

“Após o Edir Macedo ver que o Alckmin não decolaria e declarar via Facebook que apoiaria Bolsonaro, a redação deu uma guinada. Passamos a publicar exclusivamente coisas positivas sobre o candidato do PSL e coisas mornas sobre Haddad, Ciro e Alckmin”, diz o relato. “Passado o primeiro turno, começou o jogo sujo. Nada de pauta negativa ao Bolsonaro, a não ser que seja um assunto de grande visibilidade. A gente pode subir pautas positivas do Haddad, mas geralmente elas não são chamadas na capa nem nas redes sociais. Ou seja: ninguém vê”.

Apoio no caso do ‘golden shower’

A coluna de Mauricio Stycer na Folha de S. Paulo informa que esta semana a TV Record minimizou a cobertura do tuíte em que Jair Bolsonaro mostrou uma cena pornográfica para criticar o carnaval brasileiro.

“Em telejornais que, por tradição, se limitam a noticiar sem emitir opinião, como os da Globo, Record e SBT, a duração de uma reportagem pode representar o que a direção pensa ou quer que o espectador pense do assunto”, afirma Stycer. “O Jornal da Record foi o que tratou mais rapidamente da notícia – apenas um minuto e 13 segundos. O JN, o que se estendeu mais –seis minutos e 15 segundos, ou cinco vezes mais que o concorrente. Jornal da Band (2m41s), RedeTV! News (2m46s) e SBT Brasil (3m18s) ficaram no meio”.

A coluna também indica que as entrevistas realizadas pela Record com os deputados Daniel Coelho (PPS-PE) e Bia Kicis (PSL-GO), sobre o assunto, foram favoráveis à Jair Bolsonaro.

Vista como “inimiga” por Bolsonaro, por outro lado, a Rede Globo exibiu depoimentos de dois políticos em defesa do presidente e quatro com críticas, incluindo o de um deputado da base de apoio do governo. E também expôs a repercussão internacional nos sites de jornais dos EUA, Inglaterra e México, além da nota oficial do governo.

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