Com governo alvo da PF, Dino reage a Moro ministro de Bolsonaro

Com governo alvo da PF, Dino reage a Moro ministro de Bolsonaro
O governador reeleito do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), criticou o juiz federal Sérgio Moro por aceitar a indicação para assumir o superministério de Justiça e Segurança Pública no governo de Jair Bolsonaro (PSL). Numa sequência de publicações no Twitter, o comunista, que é ex-juiz federal e abandonou a toga para chegar à Câmara dos Deputados triplamente apadrinhado por políticos maranhenses investigados em casos de corrupção (José Reinaldo Tavares, Humberto Coutinho e Miltinho Aragão), insinuou a existência de uma trama político-eleitoral entre o magistrado da Lava Jato em primeira instância e o capitão reformado do Exército.

“Sérgio Moro aceitar o ministério de Bolsonaro é um ato de coerência. Eles estavam militando no mesmo projeto político: o da extrema-direita. O grave problema é esconder interesses eleitorais por baixo da toga. Não há caso similar no Direito no mundo inteiro. A comprovação de interesses eleitorais na Lava-Jato, além de comprometê-la quanto ao já feito, infelizmente vai gerar suspeitas com relação a casos similares no futuro. Não é apenas Sérgio Moro que perde credibilidade.”, escreveu.

Apesar do discurso em defesa da moralidade, a reação de Dino por ser uma espécie de salvo-conduto para eventuais operações da Polícia Federal contra o seu governo.

Desde 2015, a gestão do governador do Maranhão vem sendo alvo da PF, Ministério Público Federal (MPF), Receita Federal (RF) e Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU), por supostos assaltos aos cofres públicos, principalmente na área da saúde pública.

Apenas no ano passado, por exemplo, o governo comunista foi alvo de pelo menos duas novas fases da Operação Sermão aos Peixes (Rêmora e Pegadores), após os investigadores da força-tarefa descobrirem indícios de desvios de mais de R$ 36 milhões do dinheiro encaminhado pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS) para a Secretaria de Estado da Saúde (SES). A pasta, inclusive é comandada por um indiciado pela PF, o seu ex-advogado eleitoral Carlos Eduardo Lula, num inquérito relacionado a outro suposto esquema.

Quando da deflagração da última operação, que revelou o apontado surrupio de recursos da saúde para pagamento de mais de 400 funcionários fantasmas e até o uso de uma sorveteria que, segundo o delegado da Polícia Federal Wedson Cajé, se transformou em empresa de serviços médicos da noite para o dia, Dino saiu em defesa do ex-advogado, o manteve no cargo, atacou a operação e se beneficiou com a insinuação feita pelo entorno do Palácio dos Leões, de que a operação seria uma orquestração do ex-senador José Sarney (MDB) em conluio com o então diretor da PF, Fernando Segóvia, que havia sido recentemente nomeado pelo presidente Michel Temer, do mesmo MDB de Sarney.

Com a iminência de novas operações contra o seu governo, inclusive resultado de um inquérito aberto após ele usar o Twitter para supostamente embaçar as investigações com a publicação de informações privilegiadas, o possível salvo-conduto já estaria novamente montado: a perseguição agora não seria de José Sarney, mais de Jair Bolsonaro e Sérgio Moro, a quem o comunista tem também criticado, inclusive em razão de decisões, contra seu campo político, na Lava Jato.

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