Médico suspeito de estuprar paciente não aparece para depor, em Manaus

Caso foi registrado no 10º Distrito Integrado de Polícia, no AM (Foto: Indiara Bessa/G1 AM)


O ginecologista de 53 anos, denunciado pelosuposto estupro de uma paciente durante uma consulta, não compareceu à sede do 10º Distrito Integrado de Polícia (DIP) para depor. De acordo com o delegado Paulo Benelli, o advogado do médico apresentou um atestado clínico de sete dias para "tratamento clínico e repouso domiciliar".

O médico foi intimado para depor na quinta-feira (6), após uma paciente registrar um Boletim de Ocorrência (B.O) contra ele. A mulher conta ter sido abusada pelo ginecologista dentro do consultório, na terça-feira (4). Entretanto, ele não apareceu na unidade de polícia para esclarecer o caso.

"O advogado dele apareceu com um atestado do Hospital Universitário Getúlio Vargas, atestando o afastamento dele de sete dias a partir do dia 5, que teria sido o dia em que ele se consultou no local, dia esse subsequente ao possível estupro", disse Benelli ao G1.

Segundo o delegado, o atestado não informava o motivo do afastamento ou a doença do médico, e ainda não acompanhava receituário. "Ele não se exime da responsabilidade de comparecer a delegacia, já que a intimação, por efeito legal, necessita da presença da pessoa. Ele justificou 'motivo de força maior', que seria a situação de saúde e nós vamos respeitar a decisão clínica", contou.

Após o fim do período, na quarta-feira (12), o ginecologista deve ser novamente chamado para depor. Caso não compareça, Benelli contou que irá optar pela qualificação direta do médico. "Além disso, vamos encaminhar para o juiz sem a versão dele", completou.

A Polícia Civil informou que outras pessoas devem ser notificadas para depor e concluir o inquérito sobre o caso. O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM) só deve ser acionado depois do interrogatório do profissional. A polícia aguarda agora a a conclusão do laudo do exame de corpo e delito feito pela vítima.

Caso

A vítima contou ser paciente de longa data do ginecologista. Segundo Benelli, ela estava com dores e foi fazer um exame de rotina, intravaginal.

Relatos da vítima dão conta de que o médico disse que iria ensiná-la a fazer um autoexame. "Ele ficou de costas para ela, e ela disse que ficou esperando uma reação dele. Quando ele virou, já estava abaixando as calças", afirmou o delegado.

De acordo com o depoimento da vítima, ela foi imobilizada e estuprada pelo médico dentro do consultório. “Depois que ele finalizou, tirou a camisinha, jogou no lixo, pediu para ela se limpar e falou ‘esse será o nosso segredo’”, acrescentou o titular do 10º DIP.

A mulher denunciou o crime no mesmo dia. Investigadores do DIP foram até a clínica. No entanto, o ginecologista não os deixou entrar no consultório, apenas na recepção. Segundo o delegado, a equipe conseguiu coletar uma camisinha e papéis supostamente usados pela vítima, que estavam no lixo, fora da clínica. O material foi encaminhado para perícia.

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